O RÁDIO COMO PROTAGONISTA DA NOSSA HISTÓRIA

O RÁDIO COMO PROTAGONISTA DA NOSSA HISTÓRIA
(Theresinha Acco)

Um feliz encontro na semana dedicada a Comunicação. Muita emoção ao conhecer o acervo de Rádios antigos exposto no espaço cultural da Rádio Onda Sul FM de Francisco Beltrão. O encontro, foi gentilmente conduzido pelo Padre Valdecir Bressani, jornalista e diretor geral do grupo RBJ. Também editor da Revista Olhar Diocesano e assessor da Pascom. Pelo que pude constatar um apaixonado por rádio e pela comunicação.
Quando ali adentrei, logo a frente me deparei com uma relíquia entre tantas relíquias a desfilar sob o olhar atento, a espreitar tão inusitado cenário. Muita emoção ao me deparar com o velho e conhecido Rádio SEMP, indispensável na suspensa prateleira da cozinha da minha infância e adolescência. Ali bem ao alto para que as crianças não alcançassem as sensíveis botões de sintonia e volume.
Ao me curvar, ou melhor ao me prostrar, quase veemente diante daquele aparelho tão próximo e familiar em busca do melhor ângulo para uma foto, fui abraçada, fui arrebatada pelas lembranças a desfilarem sobre a tela da minha mente. Estava ali, toda uma história de família que teve como protagonista o Rádio: Memória afetiva. Saudades! Presença. Reunião. Família. Esporte. Notícia. Religião…. Tempo Bom!!…
Reporter Esso, o momento tenso! O silêncio contagiante imperava. As notícias eram atualizadas, pelo menos a cada vinte e quatro horas quando chegavam audíveis! Depois do noticiário as conversas eram enriquecedoras pelos comentários das informações que chegavam pelas ondas do rádio. A Voz do Brasil, mesmo sem entender quase nada, ficávamos ali todos diante do aparelho, e sob olhar vigilante do pai. Também tinha descontração e alegria, pela Rádio Nacional de São Paulo, Programas de moda de viola…, oportunizavam um bom repertório que era reprisado nas vozes das pessoas da família. A hora precisa de minuto em minuto com a Rádio Relógio do Rio de Janeiro. As rádios novelas, aproximavam as vizinhas para a audição e posteriormente os comentários…Aos domingos, meu pai com o ouvido colado na Rádio Guaíba de Porto Alegre, para ouvir mais um lance, mais um gol do seu time preferido, narrado por uma voz eloquente de um locutor. Enfim, alguns momentos que marcaram páginas, de forma decisiva numa fase linda da minha vida pelas ondas do Rádio de ontem.

E, hoje o rádio continua tendo um papel fundamental no nosso dia a dia, mesmo em meio a tantas tecnologias digitais. Ele é um meio de comunicação acessível e rápido, capaz de chegar a lugares onde a internet muitas vezes não alcança.
No cotidiano, o rádio informa, educa e acompanha. Está presente nas casas, nos carros, no trabalho e nas estradas, levando notícias em tempo real, alertas de emergência, campanhas de utilidade pública e informações que ajudam na organização da vida diária.
Além disso, o rádio continua marcando, forte dimensão afetiva e cultural. Ele aproxima pessoas, dá voz às comunidades locais, valoriza a música, a memória, as tradições e as histórias que constroem a identidade de um povo. Em viagens, quando estamos a sós, o rádio tem o poder através da boa música, além de ser companhia, despertar boas emoções e nos remeter a lugares e momentos inesquecíveis.
Assim, o rádio segue sendo mais do que um meio de comunicação: é um elo afetivo entre pessoas, uma presença viva que informa, acolhe e conecta o dia a dia de milhões de pessoas. Viva o Rádio!
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Theresinha Acco é escritora, poeta e cronista, nascida no Rio Grande do Sul e residente entre Palmas e Francisco Beltrão, Paraná. Graduada em Língua Portuguesa e Inglesa, com pós-graduação em Língua Portuguesa, Educação e Comunicação. Atuou no magistério superior e na rede pública de ensino. Autora de poemas, contos e crônicas publicados no Brasil e no exterior, teve o texto “Carta ao Papa Francisco” destacado no Vatican News, Cidade do Vaticano. É membro da APAL – Academia Palmense de Letras e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.