DESAPARECIMENTO

DESAPARECIMENTO
(Luiz Silva)

O que sei é que ela se chama Vida. Está desaparecida. Já faz um tempo que não a encontro. Juntos, vivemos bons momentos. No trabalho, na sala de aula, à beira-mar. Última vez que a encontrei, acho que foi num show. É verdade que a procurei muitas vezes, em lugares onde ela jamais estaria.
Vida não gosta de formalidades, protocolos, convenções sociais, de pré-conceitos.
Vida gosta de mar, de livros, de violão, da noite. Café também.
Vida é trabalho, intelectualidade e simplicidade.
Talvez, ela esteja aí. Bem próxima, como sugere Caio Fernando Abreu, “gritando nos cantos”. Eu é que ando distraído. Ou então, ela foi-se “embora pra Pasárgada” encontrar com Manoel Bandeira. Acontece que bateu uma certa saudade…
Pois é Drummond, “E agora José?” E, como diria Fernando Pessoa, “Grandes são os desertos, e tudo é deserto”.
Não há como saber como ela está vestida. Com quem anda ou coisa assim. Vida é ousada. Apresenta-se com tantas roupas, tantos rostos, com tantos nomes. Na forma de diferentes pessoas, em diversas situações. Mesmo assim, se alguém souber notícias dela, queira me informar. Ficarei muito grato.
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Luiz Silva nasceu em 1976, em Francisco Beltrão (PR). É servidor público, trabalha na Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. É integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão. Participou das coletâneas Trincas que me Trincam, (2020) e Pratas da Casa (2023). Colunista da coluna Hemera, publicada no Jornal Opinião, desde 2025. É apaixonado por música, por literatura e por filosofia, mas sua maior paixão é a tecnologia. Não por acaso, grande parte de sua produção literária é repleta de figuras de linguagem que remetem à linguagem da informática.