O MUNDO ESTÁ MUDANDO! E VOCÊ?
O MUNDO ESTÁ MUDANDO! E VOCÊ?
(Cleusa Piovesan)
Você está realmente vivendo, ou está caricaturizando sua vida para atender aos preceitos midiáticos e padrões estabelecidos que focam a existência do ser na aparência e não na essência? As máscaras do viver um dia caem, e quando caem o sujeito desmorona como um prédio em ruínas, e implode-se em seus próprios escombros.
Não são apenas os tempos que são líquidos, as relações estão líquidas, e as pessoas se diluem no limiar do tempo e do espaço, refletindo um espectro que transita entre sombras e luzes indifusas, ocultando a realidade concreta, camuflando o verdadeiro sentido de viver.
Não há mais um fluxo de consciência de “estar no mundo”, de pensar, de atuar, de inserir-se, de justificar uma existência valorosa, de maneira a deixar marcas de sua passagem pela vida terrena; o “ouro de tolo” chamado “consumismo”, consome mentes, aniquila idiossincrasias, mina o senso crítico, aliena, ao acenar com a “seta dourada” do pertencimento a um contexto ou grupo social.
A vida tornou-se um trânsito de seres perdidos, ensimesmados, egocêntricos, narcisistas, centrados apenas em seus fúteis desejos e sonhos que nunca se realizam, na interminável busca do impossível.
O que de mais permanente vemos, diariamente, são as mudanças, as transições, mas, não apenas de espaço físico, são alterações de um humor a outro, de uma ideologia a outra, com a mesma simplicidade e com que se troca uma roupa que não apresenta a aparência desejada diante de um espelho. Sobra apenas o reflexo de um interior conturbado que nunca está satisfeito, que nunca entra em consenso entre o pensar e o agir, e na dúvida, flutua no limbo do vazio existencial.
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.
