SILÊNCIO, MEU MESTRE, MEU AMIGO

SILÊNCIO, MEU MESTRE, MEU AMIGO
(Luiz Silva)

Meu amigo Silêncio esteve aqui.
Me encontrou com o violão bem afinado.
Gostou da tela do meu computador, ambiente Linux.
Deu falta de alguns objetivos.
Não entendeu aquelas distrações ali.
Me falou de abraços, acolhimento e de saudades.

Silêncio é polido.
Não se incomodou com o ruído das teclas do meu laptop.
Me disse que canto de passarinho não é barulho, é vida.
Aprendi que ninguém ama tanto a música quanto o Silêncio.

O Silêncio me orientou a nunca esquecer de acordes e algoritmos.
Disse que a vida faz sentido.
Tem a poesia de Drummond,
a Filosofia de Nietzsche,
as canções do Belchior.
Conversas descontraídas com café.

O Silêncio me disse que era hora de sair.
Cães precisam latir.
Ladrões querem roubar.
Carros passarão.
Pessoas repetirão sempre mais do mesmo.
A vida com seus sons pede passagem.
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Luiz Silva nasceu em 1976, em Francisco Beltrão (PR). É servidor público, trabalha na Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. É integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão. Participou das coletâneas Trincas que me Trincam, (2020) e Pratas da Casa (2023). Colunista da coluna Hemera, publicada no Jornal Opinião, desde 2025. É apaixonado por música, por literatura e por filosofia, mas sua maior paixão é a tecnologia. Não por acaso, grande parte de sua produção literária é repleta de figuras de linguagem que remetem à linguagem da informática.