MULHERES TRANSPARENTES

MULHERES TRANSPARENTES
(Cleusa Piovesan)

Reflito sobre as mulheres transparentes
Na cor da pele branquinha
Desbotada, esmaecida
Como uma musa romântica
Nascida para divar.
Fugir das agruras do sol
E do trabalho braçal
Que castiga as peles alvas.

Mas de que estas donzelas estão salvas?
Talvez de ganhar o pão
Com o suor de seu rosto…
Enquanto ficam à espera
Não de um cavalo que as derrube,
Mas de um burro que as carregue…
Estão mais para Inês Pereira
Do que para Helena ou Aurélia.

E penso na transparência do caráter
Daquelas que não dissimulam,
Das que dizem logo “na lata”
Quando a conversa está chata
Não mascaram sentimentos,
Não fingem orgasmos
Não se deslumbram com elogios,
Nem dependem de ninguém,
Mas deixam os homens pasmos
Com sua língua afiada.

A elas é tudo ou nada.
Encare-as quem puder.
Sabem o valor da mulher
E não caem na armadilha
Do amor à primeira vista.
Com elas é dança na pista
E o amor é vampiresco,
Só ocorre à primeira mordida!
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.