ENTRE A CONTEMPLAÇÃO E A LAMÚRIA

ENTRE A CONTEMPLAÇÃO E A LAMÚRIA
(Cleusa Piovesan)

O isolamento social
Um surto internacional
Não é de todo improdutivo
Um belo refúgio aos poetas,
Contistas, Cronistas,
Romancistas e escrevinhadores
Que pela arte da escrita
Nascem e morrem de amores

Ressuscita-se seres reclusos
Como o “Vampiro de Curitiba”,
O “Bruxo do Cosme Velho”,
Poe, um “Corvo” entregue ao vício
Pede-se licença a Rushdie com coragem
de inspirar-se em “Versos satânicos”
Para falar de uma “Lavoura arcaica”
pelas veredas de Raduan Nassar.
Enfim encontra-se Proust para ir
“Em busca do tempo perdido”!

A reclusão total em tempos sombrios
Só incomoda os sem imaginação
Que fazem da vida uma eterna lamúria
Não têm o poder da contemplação
Entregam-se a gula e ao ócio
E ao pecado da luxúria
E sem emoção perdem-se sem razão.
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.