CHAVE MESTRA

CHAVE MESTRA
(Cleusa Piovesan)

Sou livre demais para caber em um abraço,
Nenhum amor é forte o bastante para me pôr laços.
Quebrei as algemas forjadas em ouro,
Desfiz o pacote tão bem amarrado com laços eternos,
Que embrulhavam juras falsas,
E, hoje, minha liberdade é meu maior tesouro.
Não vivo de sonhos, mas de inconstâncias,
Veio a realidade e desfez utopias,
Não faço promessas, nem rezo…
Joelhos já gastos por ave-marias.
Meu credo é em mim e em meus ideais,
Gastei meus rosários em crenças banais.
Vesti-me de luz, sou brilho constante,
Forjei minhas ideologias,
E em busca de meu ponto de equilíbrio,
Conjecturo sobre filosofias,
E são tantas, e diversas, que minha mente,
Às vezes, dispersa.
São tantas perguntas, talvez sem respostas,
Mas alguém se importa?
Viver sem amor?
É claro que não!
São tantos amores… Uns vêm; outros, vão…
Sem certo ou errado, sem medo do adeus, eu sigo,
E as marcas que carrego só cabem a mim.
Decido o que quero, faço meu caminho,
Sem rumo, mas sempre rumo ao sol,
Acompanhada ou sozinha?
Que me importa?
Tenho a chave-mestra de minha vida e abro qualquer porta!
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.