DESEJO DE SONHAR

DESEJO DE SONHAR
(Luiz Silva)

Ela ouviu falar em Deus, valores de família e outras coisas mais. Frequentou a escola. Deve ter ido à igreja.
Só que, era como se estivesse sendo exibido cenas de um filme, com diálogos de outro. Foi Cansando. Um dia apertou stop.
Na rua, descobriu que, “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”.
Foi acolhida. “Amigos”. “Amigas”. Crianças. E o tal “profissional”.
Agora, o filme era outro. Cenas e diálogos sincronizados. Era um drama.
Perguntou-se pelo Futuro. Estaria “numas quebrada” por aí? Ou, “nuns corre” bem longe.
Tudo lhe pareceu uma grande mentira.
Sonhos que viraram fumaça. Projetos esfarelados.
Cursos que fez. Amores que teve. Filho…
A descrença foi tomando conta.
Prostituição é a alternativa. Comete furtos também.
Transmite um certo encanto, não sei se do que foi, do que poderia ter sido, ou, do que ainda resta.
Ainda ontem, encontrei-a em frente um bar. Nos abraçamos intensamente. Ela sempre menciona o sentido da palavra outsider.
Quando cheguei em casa, o contexto me convidou a ouvir rap do bom. Grupo Face Da Morte, especialmente aquela que diz, “sou apenas um caipira, aprendendo a rimar”.
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Luiz Silva nasceu em 1976, em Francisco Beltrão (PR). É servidor público, trabalha na Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. É integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão. Participou das coletâneas Trincas que me Trincam, (2020) e Pratas da Casa (2023). Colunista da coluna Hemera, publicada no Jornal Opinião, desde 2025. É apaixonado por música, por literatura e por filosofia, mas sua maior paixão é a tecnologia. Não por acaso, grande parte de sua produção literária é repleta de figuras de linguagem que remetem à linguagem da informática.