UM LUGAR ÚNICO

UM LUGAR ÚNICO
(Theresinha Acco)

Há cidades que, ao cair da noite, esfriam a alma em qualquer estação. O silêncio pesa, as luzes parecem distantes, e até o vento passa sem dizer nada.
Outras, porém, quando escurece, se acendem por dentro: iluminadas não apenas por lâmpadas, mas por sonhos. Por exemplo, Francisco Beltrão, não importa se dia ou noite, respirar nela inspira alegria, aconchego e um agradável bem-estar, fazendo do dia e da noite um convite a permanecer.
Essa Terra acolhe os visitantes com ternura. Uma cidade postada em meio a natureza verde. Cada canto nos presenteia com seus parques e lagos naturais de águas límpidas. Em cada esquina um gesto de boa educação, um sorriso de boas-vindas. Percebe-se que o povo carrega alegria no seu modo de viver. Um povo generoso pela própria natureza.
Os trezentos e sessenta graus da circunferência que abraçam essa hospitaleira cidade são pontuados por uma boa energia que aproxima e seduz a quem por aqui passa. E, por aqui faz morada. Um lugar único para se viver.
Em cada espaço a cultura está disponível, nos seus elementos arquitetônicos, à gigante torre a apontar, a sinalizar expressão de fé para o alto, e a iluminar graciosa, às noites. A monumental e belíssima Concatedral, Nossa Senhora da Glória, a nos convidar para uma visita, além da habitual rotina. Contando, também, com outros belos templos.
Às belezas naturais articuladas às habitações, somando a Educação em todos os níveis ali a iluminar dons, e a fortalecer vocações.
Suas praças, monumentos, espaços de trânsito, de lazer e de acolhida vão se tornando melhores quando alguém por lá passa, ou se senta num banco em plena manhã de sábado, para respirar o ar fresco do dia, na companhia de um bom livro, ali, junto ao gazebo do Centro de Letras a marcar presença todos os sábados. Um ritual que aproxima e nos conecta com o tempo que desacelera, com a cidade que acolhe, com o silêncio habitado das páginas abertas, e, sobretudo, com a convivência possível entre as pessoas, sem pressa.
Cenário singular, em tempos que a tecnologia através de suas telinhas rouba o espaço do livro. Oculta o prazer da leitura. Subtrai a habilidade de sonhar. Agora, singular possibilidade de leitura ao ar livre, um sinal de esperança de que pessoas ainda podem buscar a leitura como fonte de conhecimento, de lazer e de entretenimento num espaço aberto e receptivo.
Estar nessa cidade é um misto de alegria e bem-estar. Sempre gratidão, minha bela Francisco Beltrão!
Theresinha Acco
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Theresinha Acco é escritora, poeta e cronista, nascida no Rio Grande do Sul e residente entre Palmas e Francisco Beltrão, Paraná. Graduada em Língua Portuguesa e Inglesa, com pós-graduação em Língua Portuguesa, Educação e Comunicação. Atuou no magistério superior e na rede pública de ensino. Autora de poemas, contos e crônicas publicados no Brasil e no exterior, teve o texto “Carta ao Papa Francisco” destacado no Vatican News, Cidade do Vaticano. É membro da APAL – Academia Palmense de Letras e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.