CARTA AO AVÔ PATERNO
CARTA AO AVÔ PATERNO
(Luiz Silva)
E aí piazão!? “O tempo é um rio que corre. Você já é mar”.
Por certo não lembra. Havia um rapaz chamado José. Hoje, com oitenta e três anos, tem um bar aqui próximo. Me falou de uma certa garrafa de cachaça. Disse-me que um fato contado por você ganhava contornos diferentes. Ele gostava muito de ir, à noite, no tal barraco, ouvir suas estórias. Contou que numa pobreza desgraçada, longe de tudo, você ainda conseguia comprar livros.
Quanto à música, parece que seus filhos desenvolveram apreço por acordeom. Eu, prefiro as cordas.
Sabe, esse lance de ancestralidade, não é meu forte. Só que há uma espécie de D.N.A que a literatura comprova o vínculo. Da minha parte, a história não continua. Não tive filhos, “não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
Talvez um dia a gente se encontre. Mera conjectura. Aí, vamos falar de mulheres, cachaça, música e literatura. Vou te apresentar uns caras que ando lendo e que você não pôde conhecer. Hão de ser bons momentos.
Por hora, como diria Belchior, “até mais ver, meu camarada”.
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Luiz Silva nasceu em 1976, em Francisco Beltrão (PR). É servidor público, trabalha na Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. É integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão. Participou das coletâneas Trincas que me Trincam, (2020) e Pratas da Casa (2023). Colunista da coluna Hemera, publicada no Jornal Opinião, desde 2025. É apaixonado por música, por literatura e por filosofia, mas sua maior paixão é a tecnologia. Não por acaso, grande parte de sua produção literária é repleta de figuras de linguagem que remetem à linguagem da informática.
