O TREM DA VIDA
O TREM DA VIDA
(Cleusa Piovesan)
O trem da vida parou
E nele não embarquei
Fiquei parado na estação
Em que plantei minha infância
Meus sonhos todos voaram
Só eu que criei raízes…
Hoje me entupo de Prozac
Para vencer minhas crises
E cultivar as querelas
De uma vida comezinha
Sem amor, sem emoção,
Sem paz… só fofocas de vizinha.
Que existência medíocre!
Morrer é a última esperança
De quem viveu sem viver,
Tornou-se planta parasita,
Sugando a seiva alheia.
Passará outro trem
Para eu mandar minhas lembranças?
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.