ESTAÇÃO MULHER
ESTAÇÃO MULHER
(Luiz Silva)
O nome dela é Vera. Talvez por ser um “mulherão”, chamam-na Verão. Parece substantivo masculino, mas, é pura feminilidade. Verão é da alegria. De noites muito quentes. Dorme pouco. Usa roupas curtas. Vera sabe que “uma cerveja antes do almoço, é muito bom para ficar pensando melhor”. É praieira. Num fim de tarde, às vezes, ela explode. Tem o trânsito, o chefe, aquela colega, o marido e tanto estresse. É chuva de lágrimas.
De vez em quando, lembra do tempo em que era moça. Tudo parecia flores. Lembra daquele primo metido a poeta que a chamava primavera. Agora, já chegando em seu outono. Muitos diriam balzaquiana. Pensa em tudo que já viveu. Sabe que, como diria Cartola, chegará o inverno de seu tempo.
Vera ou Verão. Também é Sandra, Maria, Kelly ou poderia ter qualquer outro nome. Vera representa todas as mulheres, em ciclos que se renovam e em histórias que se repetem…
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Luiz Silva nasceu em 1976, em Francisco Beltrão (PR). É servidor público, trabalha na Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. É integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão. Participou das coletâneas Trincas que me Trincam, (2020) e Pratas da Casa (2023). Colunista da coluna Hemera, publicada no Jornal Opinião, desde 2025. É apaixonado por música, por literatura e por filosofia, mas sua maior paixão é a tecnologia. Não por acaso, grande parte de sua produção literária é repleta de figuras de linguagem que remetem à linguagem da informática.