FANTASMAS DO TEMPO

FANTASMAS DO TEMPO
(Cleusa Piovesan)

Já não ouço o apito
Que cortava o sertão
Nem o som tão bonito
“Café com pão, café com pão!”

O progresso veio e levou
Os trilhos da saudade
E o tempo cruel deixou
Suas marcas na sociedade

São estações fantasmas
Abandonadas em matagais
Não agitam nosso plasma
Não há foguistas mais

Hoje apenas retratos
De turistas ou aventureiros
Registram o que foram fatos
Do que gerou muito dinheiro

Os trens e suas viagens
De negócios ou de turismo
Acalentam as lembranças
De amores ou companheirismo

As estações abandonadas
São cemitérios a céu aberto
Que contam tantas histórias
Para o observador esperto

Na consciência não morre
Não se apaga, mas destrói
Não ver mais o trem que corre
É um sentimento que dói

Os apitos são diferentes
Levam-nos na contramão
Do que foi antigamente
O doce “café com pão”!
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.